Monday, August 24, 2009
The power of love, by Celine Dion
O último relato da Líbia não foi contudo a minha última presença lá. Depois disso, na companhia de uma tripulação um pouco virada ao genial, demarcou o final como algo bem menos melancólico. Foi uma altura em que eu sem me aperceber realmente só desejava estar no velho continente, na velha Lisboa, o que não me fez viver a conhecida Tripoli como habitualmente. Mas exactamente um mês após a chegada, o desfecho oficial da operação finalmente chegou. E uma mão na janela foi a minha despedida por um ano de experiências magníficas, de toque eloquente, de salvação quase desenfreada. Foi quase uma vida o que Tripoli nos fez viver; foi tanto o que passei na terra maldita, o som que fica, o sabor que lateja. As pessoas que dedilhei, aquelas que perdi, outras que ganhei. E a presença da Madeleine que fica indiscutivelmente na margem de uma sociedade enganadora, coberta de fuligem amargurada de uma religião incompreendida. A Madalena fica lá, na memória. Foi o final de uma era para Tripoli.
Wednesday, May 13, 2009
Quem é o chefe?
Vários meses de alguns voos rasantes, mas sem escrituras que proclamar. Não houve essa necessidade, e quando não há, algo significa. No entanto, mais uma vez na Líbia, senti a necessidade de registar que a habituação é um plano seguro, mas nada reconfortante. Quase nativa já, com quatro meses de presença neste país africano, virado de costas para o seu continente, apercebo-me que o que é reconfortante é o conformismo expectante da aprendizagem severa; aquela que é feita longe das origens, mais perto da alma. No último mês líbio, em paragem de sessenta dias intensos neste total país árabe, houve histórias que contar, uma aprendizagem extensa profissionalmente, e uma tentativa enorme de eternizar uma série de sentimentos que eu sei que dificilmente em casa sentirei. Mas na distância aprendi eu a viver. E desta vez, por só mais um mês, aceito essa verdade.
Uma vez mais com a chief Patrícia, uma amiga do coração já, uma professora crescente dos passos aéreos, terrenos também, a Líbia vai-se revelando semelhante a Agosto. Inverno e Verão de Líbia são opostos, tementes de uma realidade igual, eminente. De regresso a este solo seco, poeirento, apercebo-me que a realidade é aceite por nós, e amenizada, contrastada, tornada agreste por nós próprios. Com a Tété, o meu Suspiro, a Aninhas, e o Vines, a serenidade que em nada reflecte a alma que trago, grita consolo e felicidade.
Quase de volta, apercebo-me que talvez não volte tão cedo, ou nunca mais. Parece que a Líbia acabará profissionalmente. Mas e então e os meses de amizade crescente, de beleza descoberta, de uma nova casa que proclamar? Deixa-me triste a partida, como sempre deixou. We'll always have Tripoli.
Um brinde, outra vez
Madeleine
* Last but not least, a Líbia já nos serviu de chão sagrado para comemorar vindas á terra que me salvaram a vida. Teté, Aninhas e agora Rui. Será demasiado amar uma terra inóspita, pelas recordações que nos trará?
Monday, March 16, 2009
Já lá vão os meses em que escrevia das minhas viagens, dos sopros do mundo que recebia, de tudo por que vivia. Entre hoje e o que já relatei houve uma mão quase vazia de sítios por onde passei, mas uma alma totalmente alimentada de experiências que me fizeram crescer e olhar para mim, para os outros, para tudo de uma outra maneira. Foi Cuba, foi Chade, foi Jeddah, mas foram sobretudo as pessoas que entraram em mim, que nada pediram, mas que eu porto em tudo o que sou. Mais tempo surgirá em que relatar o tempo ganho, a viagem, as viagens. Hoje sou o que sou pelo que respiro, respirei e a fé do que respirarei. Há realmente eternidade na alma humana.
Thursday, October 23, 2008
Tuesday, October 14, 2008
Tuesday, September 23, 2008
Ponto de situação?
O Ike arracou-me novamente o desejo de conhecer Havana, e de possivelmente visitar Varadero. Com apenas um ou dois dias de piscina, o Ike demonstrou-nos a sua fúria, quase até nos evacuar.
Voltei, um tanto tristonha por não ter podido ficar mais tempo, com sol e piscina, praia e mojitos. A tripulação, bem fixe, estava um pouco em baixo, mas com uma memória bastante mais engraçada, e que pode sempre ser relembrada com o mais simples "Quieres?". Acho que nos vamos a lembrar.
Voltámos, trocando com uma tripulação que iria apanhar no fim da semana completamente caramelizada. Fui novamente chamada para voar para Cuba. Já nem queria saber quem seria a tripulação. Sabia que conhecia algumas pessoas, mas os planos asseveravam-se com o tempo a passar, as imagens de praias paradísiacas e estrondosas apareciam-me nos olhos antes de adormecer, à noite. Quando na manhã anterior à ida me telefonaram para me arrancar essa ilusão e me oferecer uma assombração; não só não iria passar a semana em Havana, como iria fazer a ida e volta, para trazer a tripulação que lá tinha passado uma semana inteira de sol e sal.
Justo? Já como a Froes dizia... Esta vida de tripulante...
Voltei no sábado passado, e agora on call, só espero que ou me brindem com uma estadia de me babar, ou acabem por me dar mais chapadas na cara. E até já estou a pensar enfiar-me na Líbia outro mês...tal é o desespero.
Portem-se bem, eu vou fazer por isso,
Madalena
Wednesday, August 27, 2008
Lybia Final Chapter


Wednesday, August 13, 2008
Três semanas completas. Três semanas sem o vento Português, e não tenho tantas saudades assim. Melancolia, exaustão, cansaço físico, mas tão emocional também, é o que sobra na cara das tripulações que se mantêm, e que sobrevivem longe.
Tuesday, August 5, 2008
Só a nós
Friday, August 1, 2008
Ponto de situação
Friday, July 25, 2008
Sabratha Ruins
Thursday, July 24, 2008
Lybia, arrival
Lado a lado com a ideia da Teresa Froes de partilhar as aventuras desta nova vida, e com os anos e anos que desfio as minhas palavras, palavrões e ideais pelos blogs do mundo, surgiu a necessidade de deixar tudo registado. Tudo o que escrever significará o mundo para mim, e pouco para os outros. Ou talvez até demasiado.